

A qualidade dos textos, a que se soma a qualidade gráfica das obras e ainda a da sua execução tipográfica, não poderiam deixar de fazer com que a Microcosmos, colecção que a Angelus Novus dedica à microficção, fosse notada. Pelos leitores em geral, pela blogosfera (como se pode comprovar aqui e aqui) e pela imprensa. Transcrevemos, com a devida vénia, parte da resenha dedicada por João Morales, em Os meus livros, aos dois volumes com que se iniciou a nossa colecção:
Pequenos Grandes Textos
Género com uma fraca expressão entre nós, a chamada micronarrativa conheceu nos últimos tempos algumas novas edições, despertando uma vez mais o interesse por este formato – escrita rápida, narrativas necessariamente curtas, imaginação célere.
Dois dos exemplos aqui apontados foram agora editados pela Angelus Novus, editora sedeada em Coimbra, cuja actividade parece conhecer um novo fôlego. Caravana, de Rui Manuel Amaral, é a estreia em livro deste autor, coordenador literário da revista aguasfurtadas e responsável pelo blog Dias Felizes (http://last-tapes.blogspot.com). São histórias de figuras peculiares, em cuja acção estão plasmadas algumas das reacções banais da trivialidade do comportamento humano. Ou então, imaginativos exercícios: «O dia entra na noite. A noite entra no dia. E os relógios observam isto, excitados e silenciosos, como os velhos mirones atrás das dunas».
Na mesma editora, uma outra proposta de um mestre da pequena ficção, Augusto Monterroso, nascido nas Honduras e que passou grande parte da vida no México (de quem a Oficina do Livro publicou, merecida e recentemente, O Resto É Silêncio, na sua colecção Ovelha Negra). O humor e a imaginação, aliados em tom de parábola, constroem pequenas pérolas de depuração.
João Morales, Os meus livros, nº 63, Maio 2008

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