Mensagem: uma edição digna de todos os encómios
Maio 12, 2008 por Aviador

As palavras são de Eduardo Pitta, no Da Literatura, e limitamo-nos a transcrevê-las, com a vénia devida:
Um livro cada domingo. Quando se fala de Pessoa, é raro referir o único livro em língua portuguesa que o poeta publicou em vida - Mensagem (1934). Com ele concorreu ao Prémio Antero de Quental, patrocinado pelo Secretariado de Propaganda Nacional, classificando-se na “segunda categoria” (o vencedor é um ilustre desconhecido). Sobre outras que conheço, a presente edição tem a vantagem do aparato crítico, da responsabilidade de António Apolinário Lourenço, professor de literatura espanhola da Universidade de Coimbra. Acerca da estrutura formal e simbólica da obra, Lourenço sublinha, na esteira de outros estudiosos, o seu carácter tripartido: [i] fundação da nacionalidade, [ii] dinastia de Avis, [iii] decadência da Pátria. As quarenta páginas da introdução ajudam a contextualizar a génese deste poema profético e utópico - esteve para chamar-se Portugal - que faz a síntese das teses de Oliveira Martins com a corrente messiânico-sebástica do pensamento português. Uma das vantagens do domínio público (como acontece com as obras de Pessoa desde 2005) é justamente permitir a diferentes editores uma abordagem particularizada da obra. Esta de António Apolinário Lourenço, para a Angelus Novus - inserida na colecção Biblioteca Lusitana, onde encontramos também uma criteriosa edição de Menina e Moça ou Saudades, de Bernardim Ribeiro, da responsabilidade de Juan M. Carrasco González -, merece todos os encómios.
