Angelus Novus

«Uma comunidade de leitores»

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Francisco Curate, no blogue Daedalus sobre a nova Angelus Novus:

 

Uma editora. Mais do que isso, uma comunidade de leitores: a Angelus Novus, estabelecida em 1993 entre Coimbra e Braga, e agora definitivamente instalada na primeira.

A Angelus Novus demandou sempre o caminho mais tortuoso: o da qualidade e da exigência na selecção de títulos e autores. Privilegiando inicialmente a área do ensaio (Derrida, Eduardo Pitta ou Ortega y Gasset) e a edição de autores clássicos portugueses (Fernando Pessoa ou Bernardim Ribeiro), a editora de Coimbra tenciona prolongar o fundamental desse legado e constituir um catálogo literário mais variado, destinado a públicos diversificados.

Numa conjuntura em que a concentração e uniformização editorial fazem doutrina, a Angelus Novus repensa o livro enquanto objecto coleccionável, avultando a qualidade gráfica das suas colecções. A editora procura acautelar o cansaço estético suscitado pela exuberância supérflua de muitos livros que subjugam os escaparates das livrarias.

Destaco alguns livros. A microficção de Augusto Monterroso (A ovelha negra e outras fábulas) e de Rui Manuel Amaral (Caravana): escrita curta e solar, minimalismo genial. A «crise académica» de 1969, exumada em A tradição da contestação de Miguel Cardina, e essa extraordinária narração auto-centrada (quotidiana, agónica, redentora) de Laura Ferreira dos Santos, o Diário de uma mulher católica a caminho da descrença.

É esta a víscera do afecto que uma editora pode ainda expor numa cidade como Coimbra. Porque o importante é continuar a ler. Para um dia sabermos, como Borges, se fomos uma palavra ou se fomos alguém.

 

Também no Jornal de Notícias

 

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