
No final do ano passado, celebraram-se os 20 anos dos Livros Cotovia, editora com a qual a Angelus Novus há muito mantém relações próximas. Agora, neste mês de Junho que acaba de expirar, celebraram-se os 30 anos de uma outra pequena-grande casa editorial portuguesa: a Antígona. A Angelus Novus associa-se à celebração desta data, que é para todos os efeitos uma efeméride no nosso mundo editorial: a da vida, longa de três décadas, de uma casa editorial única, pelo perfil muito marcado do seu catálogo, o mesmo é dizer, pelo seu valor de exemplo: de dedicação, de coerência, de aumento consistente dos critérios de exigência no que toca à realização material dos livros, enfim, de resistência a um meio que parece ter cada vez menos lugar para projectos como o da Antígona, casa auto-declarada de «editores refractários».
Propomos, pois, aos nossos estimados leitores, visitantes e clientes, um exercício que se nos afigura indispensável: em primeiro lugar, o que consiste em reconhecer os méritos da concorrência e em aprender com ela (por exemplo, aprender com a Antígona a intransigência no que toca à «caça à gralha», que faz dos seus livros, nessa matéria, os melhores do país), o que passa por elogiar sem reservas quem o merece, na sequência de uma prática que aqui lançámos há tempos e à qual regressaremos periodicamente; depois, o que implica dar a voz às pessoas que trabalham neste ramo, dialogando com elas sem outra barreira que não a da exigência com que definimos «a nossa família electiva» ou aqueles que, apesar de divergências de programa, nos merecem todo o respeito profissional.
A homenagem da Angelus Novus à Antígona concretizar-se-á, nos posts que se seguem, (i) num texto de Manuel Portela, nosso amigo e colaborador e autor muito presente no catálogo da Antígona, quer com um grande livro seu, quer com as suas memoráveis traduções de Sterne ou Blake; (ii) numa entrevista a Luís Oliveira, desdobrada em dois momentos: no primeiro, o editor da Antígona responderá a perguntas da Angelus Novus; no segundo, a editora solicitou a um certo número de autores e colaboradores seus que fizessem cada um uma pergunta a Luís Oliveira. Agradecemos, naturalmente, aos nossos autores e a Luís Oliveira por se terem prestado ao jogo proposto na entrevista.
E agora, sentemo-nos e aguardemos, com bons livros na mão, pelos próximos 30 anos da Antígona.
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