A minha livraria preferida: Gonçalo Duarte

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Gonçalo Duarte é actualmente leitor de Português na Bélgica, mais exactamente nas universidades Livre de Bruxelas e Católica de Lovaina, tendo sido antes leitor em Paris. 

Publicou na Angelus Novus, no final do ano passado, o livro O Trágico em Graciliano Ramos e Carlos de Oliveira. Uma Análise Apoiada pelos Romances São Bernardo e Casa na Duna e prepara para a editora um livro na área do ensino de Português a estrangeiros.

 

P. De todas as livrarias que já frequentou, qual a sua preferida?

R. É a Librairie Portugaise & Brésilienne, em Paris, dedicada às literaturas e às culturas lusófonas.

P. Pode indicar as 3 razões pelas quais prefere essa livraria?

R. Escolho esta livraria, em primeiro lugar, por uma razão sentimental: a Librairie Portugaise & Brésilienne constituiu, ao longo dos anos em que vivi na capital francesa, uma ligação com a minha língua e com o meu país (está bem apetrechada e é sempre possível encomendar os títulos em falta). Em segundo lugar, porque é um espaço acolhedor (não obstante seja uma livraria relativamente pequena), num bairro agradável. Por fim, porque o trabalho de edição realizado pelas Éditions Chandeigne me parece merecer atenção: do seu catálogo, disponível no sítio da internet, cabem entre outras a bela colecção Magellane, de livros de viagens dos séculos XV ao XVIII (boa parte dos textos da literatura portuguesa de viagens encontra-se aí traduzida, em edições cuidadas, bem ilustradas e com notas destinadas a um público alargado); uma colecção de livros bilingues ilustrados destinados às crianças luso-descendentes (com histórias de Machado de Assis, Luis Bernardo Honwana ou Aquilino Ribeiro, entre outros, ou a reedição de uma história ilustrada por Vieira da Silva); e pequenas sínteses de grande utilidade para o ensino das literaturas e das culturas lusófonas a estudantes francófonos.

P. Pode indicar um livro que associe em particular a essa livraria?

R. Destaco, na colecção Magellane, a tradução francesa (de Xavier de Castro e Robert Schrimpf) do Tratado das contradições e diferenças de costumes entre a Europa e o Japão (1585), de Luís Fróis (Chandeigne, 1993) com prefácio de José Manuel Garcia e cronologia e notas de Robert Schrimpf, que me levou à descoberta deste revelador texto em português. Indico ainda dois livros da mesma editora que me foram muito úteis para o meu trabalho como leitor:  Histoire de l’Afrique Lusophone, de Armelle Enders e Comprendre les langues romanes – méthode d’intercompréhension, de Paul Teyssier.

P. O que seria para si «a livraria ideal»?

R. A minha livraria ideal seria portuguesa, teria um bom acervo de edições e estaria livre de tralha; já que é ideal, aí se encontrariam edições portuguesas em formato de bolso, a preços razoáveis, e (no caso dos autores estrangeiros) em traduções que não levassem o leitor ao desespero. Já agora, se pode ser mesmo mesmo ideal, teria à disposição dos clientes – ainda que mediante pagamento – cabines isoladas, com vista sobre o rio (Mondego ou Tejo), onde se poderia ler em silêncio, bebendo galões.

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