A minha livraria preferida: Rui Manuel Amaral

candelabro_antigo

Rui Manuel Amaral é escritor, publicitário e músico (toca bateria nos The Jills). Foi um dos directores da revista de poesia aguasfurtadas. É um dos dinamizadores do blogue Dias Felizes.

Na Angelus Novus publicou, na colecção Microcosmos, o livro Caravana (2007), uma estreia distinguida pela crítica aquando da sua edição.

 

P. De todas as livrarias que já frequentou, qual a sua preferida?

R. Escolho três: duas livrarias e um alfarrabista. A Latina, no início da Rua de Santa Catarina, no Porto. A Poesia Incompleta, na Rua Cecílio de Sousa, em Lisboa. E o alfarrabista Candelabro, actualmente na Rua de Cedofeita, também no Porto.

P. Pode indicar as 3 razões pelas quais prefere essa livraria?

R. A Latina. Porque é, a par da Lello, a única livraria generalista que persiste no Porto fora da órbita das grandes redes. O único local na cidade onde, muito simplesmente e sem surpresas, é possível encontrar o livro que se procura.

Latina_1

A Poesia Incompleta. Porque foi fundada e é gerida pelo Changuito, um livreiro militante, raro e apaixonado, que ama louca e obsessivamente os livros. Para quem não vive em Lisboa, recomendo o serviço de vendas on-line: rápido, eficaz e personalizado.

Livraria_Poesia_Incompleta

O Alfarrabista Candelabro. Porque esteve durante meio século no largo Mompilher, que é um dos mais belos largos do Porto, e porque era o único alfarrabista com sardinheiras nas janelas. Mudou de proprietário há poucos anos e muito recentemente de local. Encontra-se actualmente na Rua de Cedofeita, mas o ambiente é o mesmo. Uma boa secção de literatura estrangeira traduzida, que inclui quase todos os clássicos essenciais, e longas estantes dedicadas à poesia (portuguesa e estrangeira) e ao ensaio literário. Para além, é óbvio, da bibliografia portuense, indispensável em qualquer alfarrabista tripeiro. Os preços são muito acessíveis e todos os livros são revestidos pelo próprio alfarrabista com um finíssimo papel vegetal para conservar a capa.

P. Pode indicar um livro que associe em particular a essa livraria?

R. Latina: Poesia Toda, de Herberto Helder. A edição de 1990. Poesia Incompleta: Tudo e Nada, de Macedonio Fernández (edição brasileira da Imago, 1998). Candelabro: Crime e Castigo, de “Dostoiewski”. Uma edição popular em dois volumes da Editorial Crisos, sem referência de tradutor e sem data (talvez dos anos 50).

P. O que seria para si «a livraria ideal»?

R. A “Kafka & Sterne”, na Rua da Bainharia, no Porto. Uma pequena sociedade livreira constituída pelos senhores Franz Kafka e Laurence Sterne. Com o primeiro a servir cafés (nos dias que correm todas as livrarias possuem cafetaria e esta não seria excepção) e o segundo no atendimento geral.

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2 Respostas

  1. A última resposta é brilhante. Tenho pena de não ter tido a mesma ideia relativamente a uma livraria “ideal”. Julgo que, para merecer o epíteto, faltaria só o Rimbaud a servir imperiais.

  2. Olá, estamos inaugurando um site de Sebos e Livrarias. Se puder dar uma força, ajudando a divulgar, ficaria grato. Os sebos e livrarias cadastram seus produtos (livros, cds, dvds, vinil, gibis e revistas), e os visitantes podem negociar a compra destes produtos:
    http://www.andrashop.com.br

    Abr

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