A minha livraria preferida: Vasco Santos

Lahune

Vasco Santos é editor da Fenda há 30 anos. Fundou e dirigiu, em Coimbra, a magazine frenética com o mesmo nome e co-dirigiu, com Júlio Henriques,  a revista PRAVDA.

Editou grandes autores, vestidos por João Bicker, que caíram no esquecimento líquido contemporâneo. A Fenda, porém, continua em frente editando para o lado.

Com Vasco Santos iniciamos a publicação de algumas respostas ao nosso inquérito por pessoas, que muito apreciamos, exteriores à Angelus Novus. Agradecemos ao editor da Fenda a sua pronta colaboração.

 

P. De todas as livrarias que já frequentou, qual a sua preferida?

R. A livraria que mais frequentei foi a Atlântida, em Coimbra, que hoje deu lugar a uma casa de malhas. Era um ampola miraculosa de palavras, de coisas mentais. A outra é La Hune, em Paris. Onde já só vou pela imaginação.

P. Pode indicar as 3 razões pelas quais prefere essa livraria?

R. Fazendo o trabalho de luto e melancolia da casa encantada da Rua Ferreira Borges; vou já ali a St. Germain. Três razões:

1ª- Na La Hune sou invadido de um súbito desejo de endividamento e graça, de comprar não um livro mas uma estante inteira; a cognição  jubilosa de me sentir acompanhado pela poesia e por editores altíssimos.

2ª- Os livros são elegantes, belos, procuram-nos com discrição sem a tuga gravata berrante dos nossos gestores editoriais (isto é: sem os fundos de capital de risco, oh bela ironia de hoje!)

3ª- É uma livraria pequena mas onde cabem os inumeráveis mundos que me interessam.

P. Pode indicar um livro que associe em particular a essa livraria?

R. Italo Svevo, Ulysse est né à Trieste.

P. O que seria para si «a livraria ideal»?

R. Não existem livrarias ideais. São os bons leitores que fazem os bons livros. Assim tanto me importam a Lello ou a (antiga) Leitura no Porto, a Tropismes em Bruxelas, a Rizzoli em Nova Iorque, a  Ateneo em Buenos Aires (onde nunca fui) ou a Amazon que parece nem sequer existir.

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Uma resposta

  1. Paulo Bernardo Vaz lê o depoimento de Vasco Santos e o convida para um reencontro (30 anos passados desde suas primeiras perambulâncias por La Hune) na charmosa, cativante e tentadora Livraria 100a.Página, na Avenida Central, em Braga, bem perto da Igreja dos Congregados. Além da flânerie livresca, na 100a.Página vamos tomar um café num corredor lateral que vai dar num jardim ensolarado, agradável quintal (Paulo não fuma, mas Vasco talvez ainda fume), degustar a melhor torta de maçã que se pode comer em terras minhotas e tecer conversas tão compridas quanto o manto de Penélope. Quem convida é um colaborador/capista de uma das primeiras edições da revista Fenda. Se o email deste comentarista puder ser passado para o Vasco Santos, Paulo Bernardo Vaz muito agradece ao Angelus Novus.

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