Inquérito sobre a Coca-Cola: Rui Bebiano

foto_RB_1

Rui Bebiano é Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Tendo-se dedicado incialmente ao espectáculo do poder no período barroco em Portugal e ao estudo da teoria da guerra, entre os séculos XVI e XVIII, tem dirigido a sua atenção nos últimos anos para a História Contemporânea e para a História do Tempo Presente.

Na Angelus Novus publicou o volume de crónicas Folhas Voláteis (2001), onde reuniu textos dispersos pelas publicações online em que foi pioneiro em Portugal, o livro O Poder da Imaginação (2003), sobre Juventude, Rebeldia e Resistência nos Anos 60, e, mais recentemente, Outubro. Dirige neste momento na Angelus Novus a série da Biblioteca Mínima sobre História Contemporânea, cujos primeiros volumes serão editados muito em breve.

É autor de um dos blogues portugueses mais visitados, A Terceira Noite, e colabora ainda em Vias de Facto e Caminhos da Memória.

P. Gosta de Coca-Cola? Numa escala de 0 a 5, em que 5 significa Muitíssimo, 4 Muito, 3 Assim-assim, 2 Gosto pouco, 1 Não gosto, e 0 Detesto, que classificação dá à Coca-Cola?

R. O médico indicou-me cinco fortes razões para não beber Coca-Cola (não estou autorizado a revelá-las), mas encontrei seis para o contrariar. A principal é a mais elementar e partilho-a com o Lula: aquele prazer nocturno de uma investida no frigorífico que me mata a sede e lubrifica os intestinos. Classificação 4 (seria 5 se já viesse com a rodela de limão).
 
P. A sua opinião sobre a Coca-Cola mantém-se, desde a primeira vez que a provou, ou alterou-se?

R. Alterou-se e muito. A primeira que bebi não foi bem Coca-Cola, mas a velha Canada Dry. Sabia estranhamente a canela e dava menos gás. A primeira a sério bebi-a na Galiza, com a sensação de estar a dar uma facada no Estado Novo. Dizia-se que o Salazar não gostava do logótipo «provocadoramente vermelho» e constava que podia dar muitas alegrias aos velhinhos.
 
P. Qual destas duas frases prefere? E porquê? (i) «A água suja do imperialismo»; (ii) «Os filhos de Marx e da Coca-Cola».

R. Celebrei a primeira algumas vezes, admito, mas hoje reconheço que estava inadvertidamente a defender o parricídio.

P. Como reescreveria hoje a última frase: «Os filhos de Marx e da Coca-Cola»?

R. «9 em cada 10 netos de Marx e da Coca-Cola usam iPod.»
 
P. Comente brevemente o poema de Décio Pignatari sobre a Coca-Cola.

R. Nunca me tinha apercebido de que o Pignatari trocava os vês pelos bês.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: