Rui Bebiano em entrevista sobre a Biblioteca Mínima de História

Rui Bebiano é Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e um dos autores de referência da Angelus Novus. Na nossa editora publicou já três livros – o volume de «crónicas digitais» Folhas Voláteis, o estudo inovador sobre a cultura jovem nos anos 60 em Portugal, O Poder da Imaginação, e o muito recente ensaio Outubro – e dirige a série de História Contemporânea da Biblioteca Mínima. No momento em que a colecção se inicia, com a publicação de A Esquerda Radical, de Miguel Cardina, ouvimos Rui Bebiano sobre o perfil e propósitos da colecção.

P. Quais são os objectivos da colecção de História da Biblioteca Mínima?

R. Pretende-se oferecer a um público o mais alargado possível – composto maioritariamente por professores, estudantes, jornalistas e amantes da História, mas também por historiadores e por profissionais de outras áreas do conhecimento – um conjunto de sínteses actualizadas sobre temas e problemas associados a um passado colectivo que possa ser integrado na experiência da contemporaneidade.

P. Trata-se de uma colecção centrada na História Contemporânea portuguesa. Qual a baliza cronológica mais antiga dos volumes da série?

R. Nesta fase de arranque da colecção, a cronologia deverá recuar sensivelmente até aos anos da Segunda Guerra Mundial, avançado depois até um tempo tão próximo de nós quanto uma abordagem histórica sustentada e rigorosa o permita.

P. A colecção abre com A Esquerda Radical, de Miguel Cardina. Que outros volumes se encontram prontos a editar e em preparação?

R. Os próximos volumes serão sobre a cultura popular em Portugal durante o Estado Novo, de Daniel Melo, e sobre a imprensa periódica em Portugal no pós-25 de Abril, de João Figueira. Depois destes deverá sair um sobre história do tempo presente.

P. Está prevista uma abordagem de temas numa perspectiva internacional, ou a colecção, nesta primeira fase pelo menos, ficar-se-á por Portugal?

R. Após esta etapa de lançamento da colecção, mais centrada na realidade portuguesa, iremos, de facto, procurar abordar temas que ultrapassarão o campo mais específico da História de Portugal. Pensamos mobilizar para o efeito investigadores nacionais, alguns deles jovens mas já com provas dadas.

P. Acha que a colecção tem um lugar no panorama da edição portuguesa sobre História?

R. Existe em Portugal uma ausência evidente de livros credíveis e de carácter não sensacionalista, escritos por portugueses, apoiados em investigações de natureza interdisciplinar e vocacionados para um público-leitor com interesses no domínio da História. A historiografia académica raramente contempla esta vertente. Esperamos que esta colecção possa ajudar a inverter a situação.

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