Depois da turbulência da I República… o Estado Novo

Em Portugal, o Estado Novo materializou a superação da Ditadura Militar, que governara em precário equilíbrio (8 governos, várias intentonas militares e agitação social) desde que uma fronda nacionalista, autoritária e de direita derrubara a I República, no golpe militar de 28 de Maio de 1926. Representou o desejo de institucionalização dum regime de tipo novo, ecoando a vaga fascista que varria o mundo ocidental de então.

Esta vaga relacionava-se com um contexto particular, marcado pela crise das democracias liberais (re-flectindo as limitações dos seus processos modernizadores e eventos traumáticos como a I Guerra Mundial e a crise bolsista de 1929) e pela entrada das massas no sistema político e na participação cívica, cujas necessidades e expectativas punham as elites à prova.

A este contexto corresponderam distintas saídas políticas, sendo que uma das soluções de tipo novo que então surgiu se posicionava entre o capitalismo e o comunismo, ou seja, pretendia desbravar uma «terceira via» política, equidistante das restantes, impondo um Estado forte para defender o primado do ideal nacionalista e construir uma nova sociedade, assente no corporativismo, na recusa da luta de classes e na nacionalização das massas (Mosse, 1991: maxime 1-20). A esta solução, que era uma reacção moderna ao processo de modernização em curso no mundo ocidental, foram aderindo vários países, a ponto de se tornar uma corrente dominante no espaço europeu – são os casos da Itália fascista, da Alemanha nazi, da Espanha franquista e da França pétainista, só para falar dos mais próximos.

É neste quadro que se compreende o hibridismo ideológico do Estado Novo português. Na sua génese, articulou as seguintes fontes ideológicas: 1) o nacionalismo autoritário (dos segmentos republicano presidencialista e conservador radical); 2) o catolicismo conservador (incluindo o integrista e o democrata-cristão); 3) o integralismo lusitano, com uma grande afinidade ideológica à Action Française e tido, por vários autores, como uma variante nacional do fascismo; 4) a doutrina fascista; 5) um certo modelo desenvolvimentista (Martins, 1998: 19-46; Lucena, 1976: 16-48; Rosas, 1992 e 1994; Pinto, 1992; Torgal, 2009).

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