A Prisão do Gungunhana # 4

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Efectivamente o aspecto do bivaque parecia confirmar o que eu dissera; o tenente Miranda extenuado, abrasado em febre, vomitava constantemente a água com que tentava mitigar a sede; os soldados dormiam estirados sobre os capotes, tão cansados que muitos nem quiseram comer o rancho, embora só tivessem comido bolacha desde as 3 da madrugada; eu mesmo estava deitado e de todo estafado. O Sucanaca dizia que o régulo estava “ainda” muito longe mas tudo me levava a crer o contrário.

Chovera quase toda a noite. Eu pouco tinha dormido e cada vez se enraizava mais no meu espírito a ideia de não voltar atrás senão com o régulo aprisionado ou com a sua cabeça e por isso às 3h (a. m.) mandei levantar as praças e os carregadores enrolar os capotes e marchámos às 4 (a. m.). O tempo melhorara e a gente de guerra logo que ouviu movimento no nosso bivaque levantou-se para nos acompanhar. O terreno continuava a ser descoberto e plano, o chão duro. Apressei a marcha por forma que várias vezes fomos em acelerado.

Apareceram pela nossa frente umas três mangas de guerra, gente que evidentemente estava com o Gungunhana mas cujos chefes vieram a correr declarar que “pegavam pé” e pediam para nos seguir. Essa gente disse que o Gungunhana estava no Chaimite para onde fora a fim de fazer sobre a sepultura do seu avô Manicusse diversas cerimónias para arranjar feitiço que impedisse de descobrir onde ele estava.

pág. 28-29

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