A Prisão do Gungunhana # 5

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Era uma espécie de cidade santa dos vátuas e deviam ter-se ali passado cenas de grande carnificina, tanto antigas como muito recentes, porque ao aproximarmo-nos da povoação, encontrámos algumas caveiras humanas ao mesmo tempo que se sentia um cheiro muito intenso a carne podre e os pretos disseram depois que no mato estavam vários cadáveres. Dava ingresso na povoação uma única entrada de não mais 0,40 m de largura. Corri para aí à frente dos brancos, ao passo que o círculo dos pretos se ia apertando a pouco e pouco. Entrei na frente seguido pelo tenente graduado Couto, Dr. Amaral, 1.º tenente Miranda e intérprete. Julguei, logo que entrei, que o régulo se defenderia, porque vi encostados à paliçada do lado interior alguns pretos com espingardas, parecendo preparar-se para fazer fogo. Como trazia a espada na mão corri logo sobre eles e ou fosse porque já tivessem de todo perdido a força moral, ou por verem logo atrás de nós a testa da coluna que derrubara as estacas laterais da entrada, é certo que nenhum fez fogo, deitando todos a fugir e sumindo-se nas palhotas. Este acto de cobardia dos pretos foi providencial, pois fuzilando-me a 10 m de distância (que maior não era a que me separava deles) teriam provavelmente morto todos os oficiais, os auxiliares teriam fugido logo e as praças brancas, sem ter quem as dirigisse, teriam provavelmente sido trucidadas pelos 250 ou 300 pretos que depois vi que estavam dentro da povoação.

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