Mais uma livraria a menos

O post intitula-se Papel ao Vento, e foi há pouco publicado por Francisco José Viegas no seu A origem das Espécies. Trata do encerramento da Waterstone’s de Piccadilly Circus e de mais umas tantas da rede, na Irlanda. Há que lê-lo na íntegra e meditar na conclusão:

A culpa é do livro digital? Não apenas. É sobretudo de uma gestão virada para o “capital financeiro”, que acreditava que podia vender livros da mesma forma que venderia produtos de limpeza, e que poderia impingir eternamente subprodutos infames. Como estava escrito há muito, o livro vingar-se-ia dos seus algozes ignorantes – mas, infelizmente, é um mundo que, tal como se anunciava, termina os seus dias deixando um rasto de desemprego, de desolação e de culpa. É assim.

Por nós, permitimo-nos recordar um post de uma ex-directora editorial da Angelus Novus, sobre uma livraria em Madrid que «É só uma livraria»: La Celestina. Essa cuja foto ilustra, e enobrece, este post. Chamem-nos saudosistas ou retrógrados, chamem-nos os nomes todos que quiserem. Como diz Francisco J. Viegas, isto não tem a  ver com tecnologia, o que seria irónico num blog, mas com o «capitalismo financeiro» que transforma livros (ou jogadores de futebol…) em activos, conduzindo à proliferação incontrolada de lixo – em «alta rotação», como se diz no business. A combinação de ganância com iliteracia deu o que deu, lá fora e, em breve, numa livraria perto de si.

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