«Caderno de Memórias Coloniais» por Anita Moraes (USP/FAPESP)

Anita Moraes é uma jovem professora da Universidade São Paulo e, dentro em breve, verá  a sua resenha sobre Caderno de Memórias Coloniais de Isabela Figueiredo, publicada na revista Via Atlântica, nº17, uma revista da USP. Com a devida vénia, transcrevemos algumas passagens:

Ao escrever sobre o que viveu e testemunhou quando criança, a autora se volta a eventos cruciais da história recente desses países: a situação colonial, que brutalizava o africano e a africana; a guerra colonial ou de independência; o 25 de abril de 1974; o 07 de setembro deste mesmo ano; a situação dos colonos depois da independência e seu retorno massivo a Portugal. As esferas pessoal e coletiva surgem ligadas, tornando-se, esta autobiografia de infância, também uma espécie de heterobiografia (como considerou Antonio Candido acerca de Boitempo e Menino antigo, de Carlos Drummond de Andrade). Para que a articulação dessas esferas funcione no livro, destacam-se algumas estratégias de composição: 1) a linguagem crua e por vezes elíptica; 2) a construção de metáforas e metonímias; 3) o recurso a situações emblemáticas; 4) o destaque do corpo; 5) a metalinguagem.

(…) O Caderno de memórias coloniais capta, assim, de maneira aguda, a brutalidade e perversidade desta sociedade extremamente racializada. Ao expor a amplitude da violência presente nas relações entre colonizadores e colonizados, o Caderno serve como antídoto à velha ideologia, que ainda sobrevive de várias formas, do “bom colono (ou da boa colona) português (portuguesa)”.

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