O grande Sá de Miranda na Biblioteca Lusitana

Com edição de Marcia Arruda Franco, professora da Universidade de S. Paulo e autora de dois livros sobre o autor na Angelus Novus, um grande acontecimento: a poesia de Sá de Miranda, na Biblioteca Lusitana, colecção dirigida por António Apolinário Lourenço e editada em colaboração com o Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra.

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Ferreira Fernandes e nós (e ao contrário)

Temos de confessar que todos os dias, de manhã, o nosso coração balança entre os dois cronistas diários da nossa preferência: Manuel António Pina, no JN, e Ferreira Fernandes, no DN. Desta vez, porém, e até porque Pina está temporariamente ausente (que seja curta a ausência, Manuel António!), não podemos deixar de chamar a atenção para a crónica de Ferreira Fernandes.

Porquê? Porque a crónica, intitulada Pessoa, Salazar e o barril de crude, tem a qualidade habitual, e sobretudo porque o autor revela conhecer bem as nossas edições. A referência à Mensagem ainda podia fazer-nos hesitar. Mas as dúvidas desaparecem a seguir. Porquê? Porque Ferreira Fernandes revela conhecer o volume Contra Salazar. Ambos, diga-se, organizados por António Apolinário Lourenço.

Se juntarmos à crónica de FF o impacto do corpus seleccionado em Contra Salazar na recente antologia Poemas Portugueses, no que toca aos poemas de Pessoa, é caso para dizer que o trabalho editorial de António Apolinário Lourenço faz o seu caminho…

«O Soldado Prático», de Diogo do Couto

Se acha o filme bom, então o que dirá do livro…

Biblioteca Lusitana: agora, o catálogo

A Biblioteca Lusitana é um projecto editorial realizado conjuntamente pela Angelus Novus, Editora e pelo Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra, sendo dirigida por António Apolinário Lourenço, membro do referido Centro, no qual dirige neste momento o grupo de investigação «Literatura sem Fronteiras».

A Angelus Novus esteve, desde o seu início, empenhada na edição das obras de referência da literatura portuguesa, tendo editado 10 volumes na colecção de clássicos patrocinada pelo então Instituto Português do Livro e das Bibliotecas. A Biblioteca Lusitana dá seguimento a essa dedicação, mas num novo quadro, uma vez que a colecção persegue propósitos latamente didácticos, estranhos à colecção do IPLB.

A Biblioteca Lusitana visa editar os grandes clássicos da literatura portuguesa, da poesia trovadoresca ao período contemporâneo, em edições rigorosamente fixadas e anotadas pelos melhores especialistas, sejam eles portugueses ou, em vários casos, estrangeiros, não necessariamente integrados no Centro de Literatura Portuguesa.

Trata-se pois de editar o cânone literário português, em versões modernizadas mas cuidadas, com anotação, destinadas ao público escolar mas também ao público em geral. Pretende-se, no fundo, colmatar uma chocante lacuna do nosso panorama editorial, uma vez que as edições disponíveis são ou desactualizadas ou pobres no seu aparato crítico ou ainda não fiáveis do ponto de vista da fixação textual. A que acresce a rigorosa harmonização de critérios de edição em todos os volumes e, bem assim, de critérios de excelência na sua realização gráfica. Por outras palavras, trata-se de um conjunto de obras que, por todas as razões, se destina a ser coleccionado.

Em virtude da sua preocupação em cingir-se ao cânone literário português, a colecção é «fechada», pelo que deverá estar concluída quando se editarem os 25 volumes pensados para o projecto. Saíram até ao momento três volumes – Mensagem, de Fernando Pessoa, Menina e Moça ou Saudades, de Bernardim Ribeiro, O Soldado Prático, de Diogo do Couto -, passando, a partir de 2010, a sua periodicidade a ser de quatro volumes por ano.

A partir de agora, a Biblioteca Lusitana dispõe de um catálogo autónomo, cujo pdf pode ser consultado na coluna da direita deste blogue. Em breve, a Angelus Novus informará das condições especiais de aquisição dos volumes da colecção para todos aqueles – pessoas ou instituições – que se disponham a «assiná-la», adquirindo os 25 volumes à medida que forem sendo editados.

Menina e Moça: «O prazer da leitura»

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Da Biblioteca Lusitana, colecção de clássicos da literatura portuguesa, com texto fixado e anotado pelos melhores especialistas, saíram até ao momento dois volumes: Mensagem, de Fernando Pessoa, em edição de António Apolinário Lourenço, também coordenador da colecção; e Menina e Moça, de Bernardim Ribeiro, por Juan M. Carrasco González, reconhecidamente um dos grandes especialistas na obra, professor na Universidade da Estremadura, em Cáceres. Ainda no corrente ano virá a lume o terceiro volume da colecção, O Soldado Prático, de Diogo do Couto, em edição de Ana María García Martín, da Universidade de Salamanca, já co-responsável pela edição crítica de O Hissope na Angelus Novus.

Acaba de ser editado, em Limite. Revista de Estudios Portugueses e da Lusofonía (Universidad de Extremadura), vol. 2, 2008, pp. 275-277, uma recensão da obra, da autoria de Teresa Araújo, da Universidade Nova de Lisboa. Reproduzimo-la aqui, com a devida vénia.

Uma das obras quinhentistas portuguesas que mais interrogações tem suscitado ao longo dos tempos acaba de (re)aparecer pela mão de um dos seus mais profícuos especialistas. Surge impressa, pela primeira vez, segundo a lição integral do manuscrito conservado na Biblioteca Nacional de Lisboa, sobre o qual Eugenio Asensio chamou a devida atenção há cerca de cinco décadas.

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