Os nossos livros em Os meus livros

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“Sem medo de escrever bem” é o título do destaque feito pela revista Os meus livros aos dois primeiros números da colecção Aviãozinho. E começa assim:

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A Angelus Novus estreia-se na edição de literatura infantil com dois livros ilustrados, escritos pela poeta Bénédicte Houart, que dá voz a narrativas universais e intemporais. Tudo nestes dois livros, do tamanho à ilustração, passando pelo rigor linguístico…

 

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Ferreira Fernandes e nós (e ao contrário)

Temos de confessar que todos os dias, de manhã, o nosso coração balança entre os dois cronistas diários da nossa preferência: Manuel António Pina, no JN, e Ferreira Fernandes, no DN. Desta vez, porém, e até porque Pina está temporariamente ausente (que seja curta a ausência, Manuel António!), não podemos deixar de chamar a atenção para a crónica de Ferreira Fernandes.

Porquê? Porque a crónica, intitulada Pessoa, Salazar e o barril de crude, tem a qualidade habitual, e sobretudo porque o autor revela conhecer bem as nossas edições. A referência à Mensagem ainda podia fazer-nos hesitar. Mas as dúvidas desaparecem a seguir. Porquê? Porque Ferreira Fernandes revela conhecer o volume Contra Salazar. Ambos, diga-se, organizados por António Apolinário Lourenço.

Se juntarmos à crónica de FF o impacto do corpus seleccionado em Contra Salazar na recente antologia Poemas Portugueses, no que toca aos poemas de Pessoa, é caso para dizer que o trabalho editorial de António Apolinário Lourenço faz o seu caminho…

«O Formato Mulher», por Eduardo Pitta

No Ipsilon do passado dia 26 de Fevereiro, Eduardo Pitta recenseia O Formato Mulher, de Anna M. Klobucka, livro a que atribui 4 estrelas e que qualifica como «um longo e estimulante ensaio».

Um texto importante na recepção crítica da obra e que pode ler na íntegra aqui.

«A filha do colono», por José Mário Silva

 

Na última edição do Expresso, no suplemento Actual, José Mário Silva dedicou uma resenha ao Caderno de Memórias Coloniais, tendo dado 4 estrelas ao livro. A resenha, mais um momento da impressionante recepção crítica do livro, começa deste modo – «Em Portugal não estamos habituados a livros assim» – e já pode ser lida na íntegra no blogue do autor.

Se não leu em papel, não deixe de o fazer agora. Vá por aqui.

Eduardo Pitta sobre Isabela Figueiredo, na LER

No último número da LER, Eduardo Pitta dedica a sua coluna «Heterodoxias» ao Caderno de Memórias Coloniais (o cronista e crítico, também ele nascido em Moçambique, já escrevera sobre o livro no Ipsilon). O texto intitula-se «Do outro lado do espelho», e, dada a sua importância na recepção crítica do livro de Isabela Figueiredo, permitimo-nos extrair alguns excertos, com a devida vénia:

O coro: o colonialismo nunca existiu. Uma voz desafina. A de Isabela Figueiredo: «O colonialismo era o meu pai.» Di-lo com a naturalidade de quem diz que está de chuva. As ondas de choque sucedem-se. Os desapossados do Império acendem um anel de fogo à sua volta.

Quem é esta mulher de olhar frontal que ousa lamber as feridas em público? Isabela Figueiredo nasceu em Lourenço Marques, em 1963, tendo vindo para Portugal antes de completar 13 anos. Cresceu no seio de uma família da classe trabalhadora, viveu na Matola e no Alto-Maé. A Matola, oficialmente designada «Vila Salazar», era um subúrbio de Lourenço Marques (actualmente faz parte do perímetro urbano de Maputo), na zona dos sapais. O Alto-Maé foi um bairro multicultural quando o conceito não existia. (…) Isabela não frequentou os colégios privados da Polana, não brincou com miúdos da sua idade nas piscinas dos country clubs da parte alta da cidade, não debutou no Grémio. Em suma, vivendo fora da câmpanula de cristal da sociedade laurentina, Isabela foi uma espécie de estrangeira na sua própria terra.

(…)

Isabela Figueiredo fez do seu Caderno de Memórias Coloniais um libelo. Numa linguagem desassombrada, põe a  nu a realidade dos brancos pobres de África, homens e mulheres sem tempo para o pólo a cavalo e as emolientes tardes de majongue que entretinham o tédio das famílias fundadoras e dos altos-funcionários do regime. Para o bem e para o mal, Isabela encontrava-se do outro lado do espelho. Precisamente o único sítio onde não podia estar.

 

P.S. O texto na íntegra está agora disponível no blogue de Eduardo Pitta.

«Um livro que é um murro no estômago»: Isabela Figueiredo n’«Os meus Livros»

Acaba de sair o número de Fevereiro da revista Os Meus Livros e, na secção de recensões, o Caderno de Memórias Coloniais recebe 4 estrelas, em texto assinado por João Morales. Transcrevemos dois excertos. O início do texto:

Há livros de memórias que parecem ter som. E Isabela Figueiredo consegue-o perfeitamente nestes crutos textos (nascidos no blogue Mundo Perfeito) onde nos fala da sua experiência em África, do racismo praticado pelo pai, do sentimento de ódio que isso lhe recalcou, da descoberta da sexualidade ou do sentimento de se sentir num «mundo de ninguém» ao entrar em Portugal.

E a conclusão:

Isabel levou anos até escrever o que a atormentava; até assumir esta catarse. «Precisamos de tempo para compreender. Para matar. Para poder olhá-los de novo na cara com o mesmo amor. Para perdoar.» E só o fez depois da morte do pai. Um livro que é um murro no estômago.

«Finisterra», de Manuel Gusmão, por António Guerreiro, no «Actual»

 

No suplemento Actual do Expresso deste fim-de-semana, António Guerreiro dedicou uma breve resenha ao livro de Manuel Gusmão, Finisterra. O Trabalho do Fim: reCitar a Origem, que pontuou com 4 estrelas (neste ponto, concordamos mais com Pedro Mexia…). Transcrevemos o texto, um momento importante da recepção crítica da obra, com a vénia devida:

A recepção crítica de Finisterra, o último romance de Carlos de Oliveira (publicado em 1978), não tem equivalente em nenhum outro romance português da segunda metade do século XX. Esta excepcional fortuna explica-se pela densidade da escrita desta obra e pelo alto teor dos desafios ideológicos e estético-literários que coloca. Aos quais devemos acrescentar ainda um outro, a que Manuel Gusmão não se furta: a irradiação deste romance sobre o conjunto da obra poética e narrativa do autor. Nos seus vários movimentos, a leitura de Manuel Gusmão é também um diálogo crítico com outras leituras que de Finisterra foram feitas, contemplando sobretudo três questões: 1) o trabalho de reescrita, tanto da poesia como de outros dois romances (Casa na Duna e Pequenos Burgueses), o que faz de Finisterra uma súmula e a estação última de um percurso que foi sendo sempre reelaborado; 2) a relação deste romance com o marxismo  a teoria da história que lhe corresponde (uma questão que determina o modo como se entende a situação ideológica da obra do autor e a sua relação com o neo-realismo); 3) a dimensão metaliterária e de poética autoral que Finisterra apresenta. E, para o desenvolvimento deste último ponto, Manuel Gusmão parte de uma pequena nota de Herberto Helder na antologia Edoi lelia doura (1985), onde se diz que Finisterra é «uma alegoria ficcionalmente articulada» e «a melhor introdução ou o melhor comentário à sua obra». Mas talvez o maior desafio a que o requintado crítico Manuel Gusmão tenta responder é o de interpretar o romance de Carlos de Oliveira em chave marxista, ainda que relaborando algumas categorias do marxismo. E, aqui, ele encontra em Walter Benjamin um intercessor altamente produtivo, tanto na sua teoria da aura como nas suas teses sobre um conceito de história que rompe com a linearidade e a continuidade do historicismo.