É impossível descolonizar uma alma?

No seu blogue, Isabela comentou a frase (a «assinatura») que a Angelus Novus concebeu para a campanha dos Cadernos de Memórias Coloniais. Começa assim:

Já houve quem me escrevesse perguntando se gosto da frase final que remata a apresentação do livro: «É possível descolonizar um país, mas é impossível descolonizar uma alma».

Confesso que comecei por estranhá-la, por constituir uma visão de fora, mas com os dias, conforme a vou relendo, teho vindo a percebê-la. Aquela frase reflecte-me?

O post chama-se «Colonizada» e é de leitura obrigatória.

Os lugares de Isabela

No final de Cadernos de Memórias Coloniais - a bem dizer, depois do final do livro, num Suplemento que o livro oferece aos seus leitores -, podem encontrar-se, entre outras coisas, os «5 lugares» de Isabela Figueiredo. Aqui ficam eles:

Lourenço Marques – mãe.

Bombaim – picava-me a língua e o céu-da-boca.

Lisboa – idade adulta e autonomia.

Cacilhas – o amor, partidas e chegadas

Alcácer do Sal – fuga, luz e solidão.

Caderno de Memórias Coloniais

Isabela Figueiredo regressou de Moçambique em 1975. Foi depois jornalista do Diário de Notícias, antes de optar pelo ensino. Sobre tudo o que de si deixou em Moçambique escreveu nos últimos anos, no blogue O Mundo Perfeito, o livro que acabamos de editar - Cadernos de Memórias Coloniais -, um livro sem par na nossa literatura autobiográfica.

Manuel deixou o seu coração em África. Também conheço quem lá tenha deixado dois automóveis ligeiros, um veículo todo-o-terreno, uma carrinha de carga, mais uma camioneta, duas vivendas, três machambas, bem como a conta no Banco Nacional Ultramarino, já convertida em meticais.

Quem é que não foi deixando os seus múltiplos corações algures? Eu há muitos anos que o substituí pela aorta.

 Pode descolonizar-se um país. Mas é impossível descolonizar-se a alma.

O nosso mais recente lançamento

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Lourenço Marques, na década de 60 e 70 do século passado, era um largo campo de concentração com odor a caril.
Em Lourenço Marques, sentavámo-nos numa bela esplanada, de um requintado ou descontraído restaurante, a qualquer hora do dia, a saborear o melhor uísque com soda e gelo, e a debicar camarões, tal como aqui nos sentamos, à saída do emprego, num snack do Cais do Sodré, forrado a azulejos de segunda, engolindo uma imperial e enjoando tremoços.

 

Claude Lévi-Strauss por Filipe Verde

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Há dias, e com uma reserva assinalável face à torrente mediática do nosso tempo, soube-se, pela família, que falecera Claude Lévi-Strauss, à beira de celebrar 101 anos. A Angelus Novus referira já, neste blogue, a simpatia com que o autor cedera os direitos de utilização das fotos das suas duas expedições amazónicas para o livro (miolo e capa) de Filipe Verde O Homem Livre, livro colocado sob a égide das comemorações do centenário de Lévi-Strauss.  Hoje, no Público, Filipe Verde publica um longo e substancial texto sobre o autor de Tristes Trópicos.

O texto intitula-se O homem que transformou os mitos em matemática e só podemos recomendar a sua leitura. Au revoir, Professeur.

A Infidelidade

 

Por altura da publicação do livro…

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…recuperamos alguns dados do Instituto de Ciências Sociais divulgados no artigo “Um em cada dez portugueses admite ser infiel” do jornal Público de 03.05.08:

 

12% dos portugueses casados há mais de 5 anos assumem ser infiéis. Nos homens são 16,9% os que dizem ter sido infiéis, enquanto a proporção é de 7% nas mulheres. 40% das situações em que se assume a existência de vários parceiros em simultâneo ocorrem no casamento. No caso das mulheres a maioria das in-fidelidades acontece em relacionamentos enquanto são solteiras e tende a ser residual à medida que a idade avança (3,2% com mais de 55 anos). É dos 25 aos 34 anos que mais é relatada a existência de parceiros simultâneos. Os homens são os que mais relatam relações sexuais ocasionais: são 15,7% os que dizem que o seu último parceiro sexual aconteceu numa relação fortuita. Nas mulheres este número desce para 4,5%. 55,7% das mulheres dizem ter tido apenas 1 parceiro sexual; nos homens são 59% os que dizem ter tido 4 ou mais parceiros ao longo da vida. As diferenças entre géneros continuam a ser muito grandes, mas começam lentamente a esbater-se. Se nas mulheres dos 55 aos 65 anos cerca de 80% dizem só ter tido um parceiro na vida, este número desce para 42,5% nas que têm entre 18 e 24 anos. A idade das mulheres mais jovens aquando da primeira relação sexual está a menos de 1 ano dos rapazes da mesma idade: 16,5 nos homens e 17,2 nas mulheres.

A Fidelidade

 

«A fidelidade enquanto tal não é um conceito que tenha sido objecto de numerosas reflexões filosóficas. Diferentes trabalhos sociológicos ou antropológicos procuraram dar conta dos vários sentidos que o termo recobre na nossa sociedade ocidental e monogâmica, ou em outras culturas que aceitam a poligamia. Outros, de inspiração mais filosófica, tentaram limitá-la a uma virtude muito abstracta e monolítica que não toma em con-sideração as múltiplas contradições da natureza humana. É por isso que não tentaremos aqui responder à questão “o que é a fidelidade?” por meio de uma formulação mais ou menos sofisticada que teria a pretensão de afirmar a sua “verdade” ou a sua “essência”. Procuraremos antes analisar alguns paradoxos que surgem logo que ela é identificada com um dever ou com um ideal, ou ainda, quando se tenta banalizá-la ou eliminá-la.»

  

A Fidelidade ou o Amor em Carne Viva

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 um livro irresistível de Michela Marzano

 

Marque na sua agenda!

 

No próximo sábado, 31 de Outubro, pelas 18h00, na Galeria Santa Clara, em Coimbra, Nina Guerra e Filipe Guerra conversam com os leitores sobre Nikolai Gógol, a propósito do bicentenário do nascimento do grande autor russo. Uma oportunidade rara para ver e ouvir aqueles que têm sido os principais divulgadores da grande literatura russa em Portugal, através da sua extensa obra de tradução.

Rui Amaral lê conto

No mesmo dia e no mesmo local, mas às 22h00, Rui Manuel Amaral irá ler alguns contos breves de grandes clássicos russos que seleccionou para a ocasião.

Os livros da Angelus Novus, incluindo este, encontrar-se-ão para venda no espaço.

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A Fidelidade

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«Porém, poderemos nós desligar a fidelidade da duração no tempo sem reduzi-la a algo de impalpável e de inútil? Pode-se fazer dela algo que não seja mera posse “territorial”, levando a pensar que o outro é nossa propriedade e nós propriedade sua? Será ela apenas uma virtude que se revela nas relações sociais, ou, pelo contrário, terá ela sentido na relação de cada indivíduo consigo próprio?»

 

A Fidelidade ou o Amor em Carne Viva

Michela Marzano

um livro irresistível de Michela Marzano

 

A minha livraria preferida: Francisco José Viegas

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Francisco José Viegas é ficcionista e cronista, com uma bibliografia já vasta em qualquer desses géneros. Ao seu romance Longe de Manaus (2005) foi atribuído o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. Acaba de lançar O Mar em Casablanca, com uma 1ª ed. já esgotada. É neste momento o director editorial da Quetzal e, de novo, director da revista LER, nesta sua nova fase.

Agradecemos a Francisco José Viegas a pronta colaboração no nosso inquérito. Com esta resposta, damos por concluído o nosso inquérito sobre «a minha livraria preferida».

 

P. De todas as livrarias que já frequentou,  qual a sua preferida?

R. A Ateneo, em Buenos Aires.

P. Pode indicar as 3 razões pelas quais prefere essa livraria?

R. É belíssima, instalada no antigo teatro Ateneo (na C. Santa Fe), com aquelas colunas de mármore, os querubins de gesso colorido, os frisos no tecto. Enfim, um certo conforto. E o barzinho, onde servem um ristretto com água mineral. 2) A enorme quantidade de livros acumulados, de todos os géneros, é sempre comovente para quem não vai comprar o mais recente livro de Miguel Sousa Tavares. 3) Fica perto da Academia Nacional del Tango, onde passei fins de tarde muito bons, a escutar tangos e milongas, a beber e a escrever.

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P. Pode indicar um livro que associe em particular a essa livraria?

R. Dois, que comprei lá. O Martín Fierro, de José Hernández, que nunca li até hoje. E A Invenção de Morel, de Bioy Casares.

P. O que seria para si «a livraria ideal»?

R. Podia ser como a Livraria da Travessa de Ipanema (por causa do restaurante no piso superior e das meninas que vêm da praia e passam entre as estantes como borboletas), no Rio de Janeiro; como a velha Ornabi, de São Paulo, que já fechou em 2007, e onde o Sr. Luís, um português maravilhoso, me proibiu de comprar alguns livros porque não se queria desfazer deles (tinha cerca de meio milhão de livros nas estantes); como as dos saldos de Covent Garden, onde se compram os Oxford todos a duas libras; e como a Galileu, em Cascais, que depende dos dias. Ou seja, tem de ter livros.

Lançado hoje pela Angelus Novus:

"A Fidelidade ou o Amor em Carne Viva" de Michela Marzano         Michela Marzano   

um livro irresistível de Michela Marzano

 

Outubro – Mês da Rússia

 

Depois de ter dedicado o mês de Agosto ao Brasil, o Galeria Bar Santa Clara dedica o mês de Outubro à Rússia. Na agenda encontram-se dois autores da Angelus Novus Rui Bebiano (dia 23) e Rui Manuel Amaral (dia 31).

No mesmo espaço poderá encontrar os livros da Angelus Novus para venda.

 

 
23 - sexta - 22H
“A actualidade da Revolução de Outubro”
Encontro com Rui Bebiano

 
 
24 - sáb - 22H
“A Nova Rússia”
Encontro com Raquel Freire
 
 
30 - sexta - 22H
“A Estação do Frio” – dois viajantes de S. Petersburgo a Pequim
Sergio Brota  e Joaquim Pinto
 
 
31 - sáb - 18H
“Conversas completas de Nikolai Gógol”
Nina Guerra e Filipe Guerra

22H
Pequenos contos de grandes clássicos.
Leitura por Rui Manuel Amaral.
 
Poerformance a “SALADA RÚSSIA”
Aranhiças e Elefantes
 

 

Em Outubro…

  lancamento de outubro de rui bebiano em coimbra

… mais um evento que contou com casa cheia para ouvir falar Amadeu Carvalho Homem, José Manuel Pureza e…

 

“A REVOLUÇÃO, TODA A REVOLUÇÃO, é enunciada como ruptura mas propõe um regresso. A mudança que encena aponta desde a fundação para um restabeleci-mento, para um retorno, a uma ordem essencialmente antiga, primordial e benigna, que se crê ter sido corrompida algures e em algum momento.”

 

… Rui Bebiano

(início do capítulo 10 de Outubro)

 

É hoje!

A minha livraria preferida: Bárbara Bulhosa

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Bárbara Bulhosa é co-proprietária da editora Tinta da China, que desde a sua aparição recente deixou já uma marca bem nítida no no mercado editorial português, quer pela inteligência como vem construindo um catálogo que demonstra não ser necessário seguir a «via de sentido único» dominante, quer pelo cuidado das suas opções gráficas.

Agradecemos a Bárbara Bulhosa a sua participação no nosso inquérito.

 

P. De todas as livrarias que já frequentou, qual a sua preferida?

R. A minha livraria preferida é a Travessa. Fico dividida entre a Travessa de Ipanema, que é uma livraria de bairro, e a mega Travessa do Shopping Leblon. Provavelmente o facto de estarem ambas no Rio de Janeiro ajuda. Em Portugal, sem dúvida, a minha preferida é a Pó dos Livros. E garanto que não estou a fazer lóbi familiar…

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P. Pode indicar as 3 razões pelas quais prefere essa livraria?

R. A Pó dos Livros tem três características para mim essenciais numa livraria: uma selecção cuidadosa dos livros, que passa pela existência de fundo editorial, livreiros de excelência e o facto de ser um espaço muito bonito e agradável. Sente-se que quem o planeou e lá trabalha, gosta de livros.

P. Pode indicar um livro que associe em particular a essa livraria?

R. Um livro não. Mas costumo encontrar lá livros de editoras pequeninas que não vejo nas outras livrarias e por vezes são surpresas muito agradáveis.

P. O que seria para si «a livraria ideal»?

R. Uma Pó dos Livros de 700 m2 no Chiado. O conceito seria o mesmo, mas teria espaço para muito mais livros!

A minha livraria preferida: Vasco Santos

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Vasco Santos é editor da Fenda há 30 anos. Fundou e dirigiu, em Coimbra, a magazine frenética com o mesmo nome e co-dirigiu, com Júlio Henriques,  a revista PRAVDA.

Editou grandes autores, vestidos por João Bicker, que caíram no esquecimento líquido contemporâneo. A Fenda, porém, continua em frente editando para o lado.

Com Vasco Santos iniciamos a publicação de algumas respostas ao nosso inquérito por pessoas, que muito apreciamos, exteriores à Angelus Novus. Agradecemos ao editor da Fenda a sua pronta colaboração.

 

P. De todas as livrarias que já frequentou, qual a sua preferida?

R. A livraria que mais frequentei foi a Atlântida, em Coimbra, que hoje deu lugar a uma casa de malhas. Era um ampola miraculosa de palavras, de coisas mentais. A outra é La Hune, em Paris. Onde já só vou pela imaginação.

P. Pode indicar as 3 razões pelas quais prefere essa livraria?

R. Fazendo o trabalho de luto e melancolia da casa encantada da Rua Ferreira Borges; vou já ali a St. Germain. Três razões:

1ª- Na La Hune sou invadido de um súbito desejo de endividamento e graça, de comprar não um livro mas uma estante inteira; a cognição  jubilosa de me sentir acompanhado pela poesia e por editores altíssimos.

2ª- Os livros são elegantes, belos, procuram-nos com discrição sem a tuga gravata berrante dos nossos gestores editoriais (isto é: sem os fundos de capital de risco, oh bela ironia de hoje!)

3ª- É uma livraria pequena mas onde cabem os inumeráveis mundos que me interessam.

P. Pode indicar um livro que associe em particular a essa livraria?

R. Italo Svevo, Ulysse est né à Trieste.

P. O que seria para si «a livraria ideal»?

R. Não existem livrarias ideais. São os bons leitores que fazem os bons livros. Assim tanto me importam a Lello ou a (antiga) Leitura no Porto, a Tropismes em Bruxelas, a Rizzoli em Nova Iorque, a  Ateneo em Buenos Aires (onde nunca fui) ou a Amazon que parece nem sequer existir.

A minha livraria preferida: Rui Bebiano

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Rui Bebiano é professor de história contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e investigador do Centro de Estudos Sociais. Foi pioneiro na revalorização do estudo da história política do período Barroco, com o seu livro D. João V. Poder e Espectáculo (Estante, 1987), tendo-se dedicado ainda ao estudo da teorização da guerra entre os séculos XVI e XVIII. Colaborador da LER, é também autor do blogue A Terceira Noite. Foi um dos primeiros exploradores das possibilidades comunicativas do ciberespaço, criando publicações como NON! – Cultura e Intervenção (1996-2003), além dos blogues Sous les pavés, la plage!,  A Estrada e Passado/ Presente.

Na Angelus Novus editou Folhas Voláteis (2001), O Poder da Imaginação (2003) e, muito recentemente, Outubro. Coordena também a série de «História Contemporânea» da colecção Biblioteca Mínima, cujos primeiros volumes se encontram em fase de ultimação.

 

P. De todas as livrarias que já frequentou, qual a sua preferida?

R. Oscilo entre a Lello de Luanda, na qual um dia me senti paralisado ao olhar para centenas de títulos na «metrópole» eufemisticamente classificados como «fora do mercado», e a incrível Esperança, no Funchal. Escolho a madeirense, que não deixei de frequentar e se mantém pujante nos dois espaços da Rua dos Ferreiros onde arruma perto de 100.000 títulos.

P. Pode indicar as 3 razões pelas quais prefere essa livraria?

R. A arquitectura quase labiríntica do espaço mais antigo impondo uma sensação de retiro e de suspensão no tempo, o odor intenso a papel com alguma idade sobrepondo-se pelo volume ao das novidades, a arrumação desarrumada das enormes estantes e dos livros no tecto que convida à exploração sem que o explorador perca completamente o azimute ou dê de caras com pirâmides de livros.

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P. Pode indicar um livro que associe em particular a essa livraria?

R. Foi lá que comprei os dois volumes da edição nacional do Arquipélago de Gulag, de Soljenitisine. Na altura perturbou-me bastante e meteu-me numa crise de consciência da qual não saí intacto.

P. O que seria para si «a livraria ideal»?

R. Uma que tenha todos os dias títulos novos mas conserve aqueles que nela alguma vez entraram em fundo de catálogo. Seria única.

Conversas Completas de Nikolai Gógol

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Dia 31 de Outubro, pelas 18h00, na Galeria Santa Clara, em Coimbra, Nina Guerra e Filipe Guerra conversam com os leitores sobre Nikolai Gógol. Trata-se da primeira e única iniciativa até ao momento destinada a assinalar, em Portugal, o bicentenário do nascimento de Gógol, um dos maiores autores da literatura russa e universal.

No mesmo dia e no mesmo local, mas às 22h00, Rui Manuel Amaral, organizador da sessão, irá ler alguns contos breves de grandes clássicos russos, que seleccionou para a ocasião. [clique na imagem para aumentar]

A programação completa do «Mês da Rússia» na Galeria Santa Clara, a que voltaremos em breve, pode ver-se aqui.

A minha livraria preferida: Isabela Figueiredo

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Isabela Figueiredo foi jornalista do Diário de Notícias, tendo sido um dos elementos de coordenação do DN Jovem, e editou um primeiro livro, Conto é como quem diz, em 1988. Dinamizou o blogue O Mundo Perfeito, que substituiu recentemente por Novo Mundo. É professora do Ensino Secundário.

Na Angelus Novus publicará muito em breve Caderno de Memórias Coloniais, um conjunto de textos publicados inicialmente em O Mundo Perfeito, nos quais revisita a sua infância moçambicana.

 

P. De todas as livrarias que já frequentou, qual a sua preferida?

R. A minha livraria preferida é a Escriba, na Cova da Piedade. A livreira é uma pessoa simpática, informada e sem preconceitos. Gosto de falar com ela sobre qualquer assunto, mesmo quando não lhe compro nada. A livraria é pequena, e, portanto, não há ali de tudo, mas a livreira está a par das novidades, e não deixa escapar os bons títulos. Se procuramos uma obra que não tem, disponibiliza-a num curto espaço de tempo. Sobretudo, há sempre muito boa vontade e uma palavra autenticamente agradável.

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P. Pode indicar as 3 razões pelas quais prefere essa livraria?

R. Nas suas prateleiras encontro livros diferentes, que raramente chegam às grande superfícies. Não cede à literatura fácil, embora também não lhe feche as portas. Considero uma proeza que a Escriba tenha conseguido sobreviver tantos anos na Cova da Piedade, onde as pessoas estão mais preocupadas em receber o subsídio de desemprego. Está ali muita teimosia e muito orgulho. É a livraria do meu bairro, e eu gosto daquele cantinho.

P. Pode indicar um livro que associe em particular a essa livraria?

R. Lembro-me de lá ter comprado O Sagrado e o Profano, de Mircea Eliade. que estava esgotado em todo o lado.

P. O que seria para si «a livraria ideal»?

R. A minha livraria ideal é a Escriba, mas um pouco maior para lá caberem sofás. É que gosto de me sentar com uma pilha de livros que vou folheando calmamente, enquanto decido quais pretendo adquirir.

A minha livraria preferida: Veronica Stigger

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Veronica Stigger é doutorada em História da Arte, matéria que lecciona, a par da sua actividade como ensaísta e crítica. O seu segundo livro, Gran Cabaret Demenzial (2007) foi publicado pela Cosac & Naify, de S. Paulo. Tem contos traduzidos em catalão, espanhol, francês e italiano.

Na Angelus Novus publicou O Trágico e outras Comédias (2003), sua obra de estreia, depois editada pela 7 Letras, do Rio de Janeiro, em 2004.

 

P. De todas as livrarias que já frequentou, qual a sua preferida?

R. Eu gosto de várias livrarias, mas a minha preferida é a Berinjela, que fica no subsolo de um edifício comercial bem no centro do Rio de Janeiro.

P. Pode indicar as 3 razões pelas quais prefere essa livraria?

R. Há mais de três razões para eu gostar da Berinjela. Para começar, ela é uma livraria pequena, de usados, mas que tem um acervo bem selecionado. Lá, sou sempre bem atendida. O Daniel Chomski, que é dono da livraria, é simpaticíssimo e está sempre por lá, pronto para jogar um pouco de conversa fora. Ele até já virou poema do Aníbal Cristobo, o qual reproduzo no final deste inquérito. Ademais, gosto de ir à Berinjela porque costumo encontrar por lá o Carlito Azevedo. Para mim, o Carlito já é parte inseparável da paisagem do Rio de Janeiro, como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. Ir ao Rio e não encontrar o Carlito é quase como ir a Roma e não ver o Papa (embora eu sempre vá a Roma e nunca vejo o Papa, sempre que vou ao Rio vejo o Carlito). E o melhor de tudo eu ainda não falei: o preço dos livros é sempre a metade do que está indicado a lápis na primeira página. Quer coisa melhor que isso?

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P. Pode indicar um livro que associe em particular a essa livraria?

R. Lá comprei, por 10 reais (cerca de 3,5 euros), o quarto tomo de um grande catálogo, esgotado há anos, que foi dedicado a Marcel Duchamp por ocasião de uma retrospectiva de suas obras no Centre Georges Pompidou, em 1977. Este quarto tomo intitula-se Victor e é um romance escrito por Henri-Pierre Roché sobre Duchamp.

P. O que seria para si «a livraria ideal»?

R. Aquela que tem um ótimo acervo e desconto na compra de seus livros.
 
 

Desculpas para Daniel Chomski
 
Desculpe-me, Daniel, por não ter podido
escrever
 
este poema: e nem foi tanto
por andar ocupado, mas sim por que cada vez
que pensava em você, e em sua
 
livraria, e nos amigos ali reunidos, bebendo
suas cervejas e comentando algum livro, comentando
a escalação da seleção brasileira; e todos
coincidindo
 
em que nem aqueles jogadores nem aqueles
escritores
 
eram suficientemente homens, cada vez, veja bem,
que pensava em coisas
como essas
me invadia uma preguiça
sem remédio. Além disso
 
claro que você teria saído ou estaria falando
no telefone, e teria sido impossível para você
ler este poema, e desse
modo
 
só depois de alguns meses, com sorte, eu acabaria
descobrindo por
terceiros que você ficou muito feliz porque Rubens, ou Carlito, ou
Marília
 
comentaram contigo que eu tinha escrito este poema
para você; e que afinal não era um poema
tão ruim. E desse modo
 
os dois evitamos
inconvenientes: você
 
a de que lhe dediquem um poema – algo que, entre os
seus, seria uma imperdoável falta de
masculinidade – e eu
a de escrevê-lo. Em vez disso, mando-
lhe
 
este que tinha guardado, escrito
para minha professora de inglês, quando
eu
 
tinha quinze anos.-

Aníbal Cristobo

A minha livraria preferida: Fernando Matos Oliveira

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Fernando Matos Oliveira é Professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde actualmente dirige a licenciatura em Estudos Artísticos. Doutorou-se com uma tese sobre a poesia portuguesa na transição de Setecentos para Oitocentos. Tem obra significativa sobre teatro (teoria e crítica) e vem-se dedicando nos últimos anos à reflexão sobre a performance.

Na Angelus Novus publicou O Destino da Mimese e a Voz do Palco (1997) e Teatralidades (2003). Foi ainda responsável pela edição de uma Antologia Poética, de António Pedro (1998), e, com Maria Aparecida Ribeiro, pela edição do Teatro, de Francisco Gomes de Amorim (2000). Reuniu ainda, em volume co-editado pela Angelus Novus, Livros Cotovia e o Teatro Nacional de S. João, os Escritos sobre Teatro, de António Pedro (2001).

 

P. De todas as livrarias que já frequentou, qual a sua preferida?

R. Tomando o conceito de livraria no seu sentido mais lato, opto pelas estantes de usados à disposição na Skoob Books, em Londres.

P. Pode indicar as 3 razões pelas quais prefere essa livraria?

R. O ambiente acolhedor; um arquivo sempre disponível para leituras inesperadas; o trajecto obrigatório pelo bairro de Bloomsbury.

P. Pode indicar um livro que associe em particular a essa livraria?

R. Perry Anderson, Lineages of the Absolutist State, London, Verso, 1979.

P. O que seria para si «a livraria ideal»?

R.  Aquela que se abandona sempre com um livro na mão.

A minha livraria preferida: Ana Bela Almeida

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Ana Bela Almeida foi leitora de português em Santa Barbara (EUA), Vigo e Corunha, onde actualmente prepara a sua tese de doutoramento sobre Adília Lopes.

Foi coordenadora editorial da Angelus Novus e traduziu para a editora livros de Augusto Monterroso e Iván de la Nuez.

 

P. De todas as livrarias que já frequentou, qual a sua preferida?

R. A minha mais recente livraria preferida é a Winding Stair, em Dublin.

P. Pode indicar as 3 razões pelas quais prefere essa livraria?

R.  Acho impossível não se gostar de uma livraria com este nome, “Winding Stair”, tomado da poesia de Yeats. Gosto também da sua localização numa margem do rio Liffey, com todas as bicicletas à porta. As poltronas confortáveis para a leitura e os livros cuidados e difíceis de encontrar, como as antigas edições da Penguin, fazem o resto.

P. Pode indicar um livro que associe em particular a essa livraria?

R. Foi numa das estantes da Winding Stair que fiquei a conhecer, num daqueles acasos que se dão muito nas boas livrarias, uma das minha actuais autoras de culto, a irlandesa Maeve Brennan, com a novela The Visitor.

P. O que seria para si «a livraria ideal»?

R. A minha livraria ideal teria sempre um cuidado particular com a luminosidade, como é, aliás, o caso da Winding Stair. A luz seria dourada e indirecta, o suficiente para que se possam ler bem os textos, mas filtrada para dar a sensação de que se entra num espaço acolhedor, recolhido, um regresso a casa.

A minha livraria preferida: Rui Manuel Amaral

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Rui Manuel Amaral é escritor, publicitário e músico (toca bateria nos The Jills). Foi um dos directores da revista de poesia aguasfurtadas. É um dos dinamizadores do blogue Dias Felizes.

Na Angelus Novus publicou, na colecção Microcosmos, o livro Caravana (2007), uma estreia distinguida pela crítica aquando da sua edição.

 

P. De todas as livrarias que já frequentou, qual a sua preferida?

R. Escolho três: duas livrarias e um alfarrabista. A Latina, no início da Rua de Santa Catarina, no Porto. A Poesia Incompleta, na Rua Cecílio de Sousa, em Lisboa. E o alfarrabista Candelabro, actualmente na Rua de Cedofeita, também no Porto.

P. Pode indicar as 3 razões pelas quais prefere essa livraria?

R. A Latina. Porque é, a par da Lello, a única livraria generalista que persiste no Porto fora da órbita das grandes redes. O único local na cidade onde, muito simplesmente e sem surpresas, é possível encontrar o livro que se procura.

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A Poesia Incompleta. Porque foi fundada e é gerida pelo Changuito, um livreiro militante, raro e apaixonado, que ama louca e obsessivamente os livros. Para quem não vive em Lisboa, recomendo o serviço de vendas on-line: rápido, eficaz e personalizado.

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O Alfarrabista Candelabro. Porque esteve durante meio século no largo Mompilher, que é um dos mais belos largos do Porto, e porque era o único alfarrabista com sardinheiras nas janelas. Mudou de proprietário há poucos anos e muito recentemente de local. Encontra-se actualmente na Rua de Cedofeita, mas o ambiente é o mesmo. Uma boa secção de literatura estrangeira traduzida, que inclui quase todos os clássicos essenciais, e longas estantes dedicadas à poesia (portuguesa e estrangeira) e ao ensaio literário. Para além, é óbvio, da bibliografia portuense, indispensável em qualquer alfarrabista tripeiro. Os preços são muito acessíveis e todos os livros são revestidos pelo próprio alfarrabista com um finíssimo papel vegetal para conservar a capa.

P. Pode indicar um livro que associe em particular a essa livraria?

R. Latina: Poesia Toda, de Herberto Helder. A edição de 1990. Poesia Incompleta: Tudo e Nada, de Macedonio Fernández (edição brasileira da Imago, 1998). Candelabro: Crime e Castigo, de “Dostoiewski”. Uma edição popular em dois volumes da Editorial Crisos, sem referência de tradutor e sem data (talvez dos anos 50).

P. O que seria para si «a livraria ideal»?

R. A “Kafka & Sterne”, na Rua da Bainharia, no Porto. Uma pequena sociedade livreira constituída pelos senhores Franz Kafka e Laurence Sterne. Com o primeiro a servir cafés (nos dias que correm todas as livrarias possuem cafetaria e esta não seria excepção) e o segundo no atendimento geral.

Foi por vontade dela

A minha livraria preferida: Carlos Machado

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Carlos Machado é professor do Ensinso Secundário, tendo-se doutorado na Universidade de Vigo com uma tese sobre o surrealismo português.

Na Angelus Novus publicou Entre a Utopia e o Apocalipse. Augusto Abelaira e o Fim da História (2003).

 

P. De todas as livrarias que já frequentou, qual a sua preferida?

R. Sem dúvida, a livraria Lello & Irmão, no Porto, perto dos Clérigos.

P. Pode indicar as 3 razões pelas quais prefere essa livraria?

R. Basta lá entrar para se ficar com a resposta. Em primeiro lugar, pela arquitectura, que nos remete para um outro tempo e um outro espaço, fora de tudo, em que não parecemos deglutidos pela voragem do tempo. Em segundo lugar, pela possibilidade oferecida de saborear os livros acompanhado de um café servido em chávenas à antiga, ainda com açucareiro (a ASAE ainda não terá lá ido?) em cadeiras que parecem convidar a ficar por ali e a aproveitar ao máximo tudo aquilo que surge em redor (dos livros mais antigos aos mais recentes, dos best-sellers mais vulgares às edições mais discretas de livros intemporais). Em terceiro lugar, por se ficar com a sensação que uma livraria é um templo do livro e não um mero negócio onde cai todo o tipo de usurário, a responder “não tenho cá esse artigo” ou a não saber sequer soletrar o nome dos nossos escritores maiores, no momento da pesquisa nos ficheiros (“António Lobo quem?”).

P. Pode indicar um livro que associe em particular a essa livraria?

R. Curiosamente, só associo a alguns dos livros que acabei por comprar lá na sequência do café tomado. De facto, a estratégia é boa: a gente toma ali o café que eu digo ser o mais caro do mundo – dos livros que se leva para a esplanada interior, metade acompanha-nos até ao piso de baixo, onde está a caixa. Um dos livros que lá comprei foi Metamorfoses do Real de Pedro Barbosa, docente no Porto, onde a livraria existe.

P. O que seria para si «a livraria ideal»?

R. Um misto de “Centésima Página” (pela simpatia e disponibilidade do pessoal), de Braga, “Lello & Irmão” (pela ambiência), do Porto, e “Casa do Libro” (pelo espaço disponibilizado pelos vários pisos e pela quantidade de livros existente), de Vigo.

A minha livraria preferida: Jorge Fernandes da Silveira

Livraria Camoes

Jorge Fernandes da Silveira é Professor Titular da Faculdade de Letras da UFRJ, onde se doutorou, em Literatura Portuguesa, e formou alguns dos melhores estudiosos brasileiros da literatura portuguesa. Tem obra vasta, dispersa por revistas de referência  e editoras de Portugal e Brasil. Destaquem-se, além de obras que organizou e outras de cariz antológico (sobre Cesário Verde ou Luiza Neto Jorge), os livros Portugal Maio de Poesia 61 (Lisboa, 1986);03); O Beijo Partido – Uma Leitura de O Beijo Dado Mais Tarde: Introdução à Obra de Llansol (Rio de Janeiro, 2004); Lápide & Versão: O Texto Epigráfico de Fiama Hasse Pais Brandão (Rio de Janeiro, 2006); O Tejo é um Rio Controverso – António José Saraiva contra Luís Vaz de Camões (Rio de Janeiro, 2008).

Na Angelus Novus editou Verso com verso. Estudos de Poesia Portuguesa (2003).

 

P. De todas as livrarias que já frequentou, qual a sua preferida?

R. A minha livraria preferida é a Livraria Camões, no Rio de Janeiro, mais precisamente no centro da cidade, no Largo da Carioca, junto aos principais lugares de cultura da antiga capital do Brasil.

P. Pode indicar as 3 razões pelas quais prefere essa livraria?

R.  A primeira razão é o “seu” Estrela, seu administrador, representante da Imprensa Nacional-Casa da Moeda no Brasil, um divulgador apaixonado do seu país, Portugal, onde, nos meus primeiros anos de trabalho, professor de literatura portuguesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, lá encontrava os livros que procurava e encomendava os de que precisava, e esta é a segunda razão, associada imediatamente à terceira, em que destaco o trabalho de Ana Maria, gerente da livraria: os lançamentos de livros que lá ocorriam com vinho do porto pão de ló.

P. Pode indicar um livro que associe em particular a essa livraria?

R. O meu Portugal Maio de Poesia 61, publicado pela IN-CM, em 1986, lançado na Camões entre muita gente querida, com a presença de Eduardo Prado Coelho e Luiz Costa Lima. Este, inesquecível professor de teoria da literatura nos meus cursos de Mestrado em Literatura Portuguesa na PUC-Rio; aquele, Eduardo, saudoso amigo, o incomparável leitor de poetas a quem devo a minha formação em poesia portuguesa moderno-contemporânea.

P. O que seria para si «a livraria ideal»?

R. Aquela cada vez mais rara na Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em que o livreiro (proprietário e vendedores) soubesse e gostasse de livros e, logo, não os tratasse como mera mercadoria em exibição nas vitrines e bancadas e como objeto de consumo em badaladas noites de autógrafo promovidas pelas grandes editoras.

A mais bela foto de uma livraria

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Foi tirada por Ana Bela Almeida, ex-coordenadora editorial da Angelus Novus e autora de traduções para a editora. É de uma livraria em Madrid e saiu primeiramente aqui, com a seguinte (e magnífica) «legenda»:

Ninguém lhe chama “um espaço”. Ninguém lhe chama “um conceito”. Não é multimédia. Não vende café. Não funciona como sala de concertos. Não é um projecto inovador. Não vende pins nem postais. Não é o último grito da vanguarda. Não é uma galeria. Não vende cd’s. É só uma livraria.

A minha livraria preferida: Eduardo Pitta

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Eduardo Pitta é poeta, ficcionista e ensaísta. Reuniu a sua poesia, em volume antológico, em 1999, sob o título Marcas de Água. Na ficção, o seu último título é Cidade Proibida (2007). O seu mais recente volume de crítica e ensaio, Metal Fundente, é de 2004. Praticou também a diarística em Os Dias de Veneza (2005). É o responsável pela edição da obra de António Botto, de que saíram já dois volumes. Colabora actualmente no suplemento Ípsilon do Público e anima o blogue Da Literatura.

Na Angelus Novus publicou Persona (2000) e Fractura (2003).

 

P. De todas as livrarias que já frequentou, qual a sua preferida?

R. A Village Voice do número 6 da rue Princesse, em Paris, irmã gémea, porém desbragada, da circunspecta Brentano’s da avenue de L’Opera.

P. Pode indicar as 3 razões pelas quais prefere essa livraria?

R. Como fica perto da rue Garancière, posso ir a pé a partir do hotel. Tem livros que as outras não têm. Não precisa de empregados porque tem um livreiro.

P. Pode indicar um livro que associe em particular a essa livraria?

R. Love Undetectable (Knopf, 1998) de Andrew Sullivan.

P. O que seria para si «a livraria ideal»?

R, Teria de ter estar perto de uma estação de metro. Ter muita luz, como a Almedina Saldanha. Ar condicionado nos dias quentes. Aquecimento desligado nos dias frios. Um livreiro como o Carlos Loureiro da  Pó dos Livros. Interdição de ingresso a menores de 14 anos. Fundos editoriais. Livros importados. Secção de promoções (ao fim de 4 meses de permanência em stock os livros teriam desconto nunca inferior a 20%). Interdição de fumo. Horário alargado: 10/22h todos os dias. Sacos em papel craft, sem alças.

E como já ficou lá para baixo, aqui vai de novo…

a nossa Rentree

Porque, com franqueza, é uma lista e tanto!

A minha livraria preferida: Luís Mourão

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Luís Mourão é Professor na Escola Superior de Educação de Viana do Castelo. Tem vasta obra ensaística sobre literatura portuguesa do século XX, com especial atenção ao romance e a Vergílio Ferreira. É o dinamizador do blogue Manchas.

Na Angelus Novus publicou os livros Um Romance de Impoder (1996), Vergílio Ferreira: Excesso, Escassez, Resto (2001) e Sei que já não, e todavia ainda (2003). Foi ainda co-director de Zentralpark. Revista de Teoria & Crítica.

 

P. De todas as livrarias que já frequentou, qual a sua preferida?

R. A “antiga” livraria Leitura, no Porto.  Numa altura em que ir à Livraria era a melhor forma de saber o que se ia publicando e ter uma ideia, relativamente a um passado não muito remoto, do cânone em curso. Lembro-me bem da política de expositores, se assim se pode dizer. Havia as novidades. Mas muitas vezes as novidades estavam em estantes reservadas para o efeito. E nos expositores havia uma composição temática, um enfoque particular sobre um autor, etc. Claro que eram outros tempos: publicava-se menos, havia menos leitores (em termos brutos), num certo sentido aquilo era assim a modos que um clube de intelectuais.

P. Pode indicar as 3 razões pelas quais prefere essa livraria?

R. A Leitura tinha tudo o que ia saindo, um fundo de catálogo invejável, e uma excelente selecção de livros estrangeiros. Para além disso, todos os funcionários eram simpáticos e, sobretudo, hiper-competentes (às vezes até parecia que já tinham lido os livros que a gente procurava…).

P. Pode indicar um livro que associe em particular a essa livraria?

R. Não consigo associar nenhum livro a nenhuma livraria em particular. Associo livros a lugares de leitura ou a fases da minha vida, mas não a nenhuma livraria. Será grave?

P. O que seria para si «a livraria ideal»?

R. Uma livraria numa rua pedonal (parking perto, em todo o caso), de preferência numa praça onde a gente se possa sentar descansadamente antes ou depois, com amplo espaço de exposição e a garantia de que tudo está lá, desde o mais rafeiro trash à mais invisível edição de autor.